Presentemente o diagnóstico do Síndroma de Rett, é possível com base em documentação do primeiro desenvolvimento duma rapariga e da avaliação contínua da sua história médica e do seu estado físico. A regressão, as estereotipias e as outras características clinicas são ainda hoje os elementos fundamentais para o diagnóstico. A demonstração de mutações no gene MECP2, localizado em Xq28 através de testes laboratoriais torna possível confirmar o diagnóstico clínico na maioria dos casos.
QUADRO
I
Critérios
necessários de síndroma de Rett (3)
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1 |
Período
pré e perinatal aparentemente normal |
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2 |
Desenvolvimento
psicomotor aparentemente normal nos primeiros seis meses |
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3 |
perímetro
cefálico normal ao nascimento |
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4 |
Desaceleração
do crescimento do crânio entre os 5 meses e os 4 anos |
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5 |
Perda
de capacidade na motricidade manual intencional entre os 6-30 meses
associada a disfunção da comunicação e sociabilidade |
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6 |
Instalação
de limitação severa da linguagem expressiva e receptiva com atraso de
desenvolvimento psicomotor grave |
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7 |
Movimentos
estereotipados das mãos após a perda da motricidade intencional |
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8 |
Apraxia/ataxia
do tronco e da marcha entre 1-4 anos |
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9 |
Diagnóstico
definitivo após os 2-5 anos de idade |
QUADRO
II
Critérios
de suporte e exclusão do síndroma de Rett (3)
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Critérios
de suporte |
Critérios
de exclusão |
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Atraso
de crescimento |
Evidência
de ACIU |
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Pés
pequenos e hipotróficos |
Microcefalia
ao nascimento |
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Escoliose |
Retinopatia
ou atrofia óptica |
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Disfunção
respiratória |
Evidência
de lesão cerebral adquirida no período perinatal |
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Alterações
electroencefalográficas/convulsões |
Existência
de doença metabólica ou outra doença neurológica progressiva |
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Espasticidade
habitualmente associada a fraqueza muscular e distonia |
Perturbações
neurológicas secundárias a
infecções ou TCE |
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Perturbações
vasomotoras periféricas |
Olganomegalia
ou outros sinais de doença de armazenamento |
Discussão
O
diagnóstico clinico do Síndroma de Rett não é linear. Os critérios de diagnóstico
clássicos são bastante característicos mas exigentes (quadros I e II) (3).
A natureza evolutiva da doença dificulta o estabelecimento precoce do diagnóstico
que habitualmente não é possível antes dos 2-5 anos.
Tem-se
admitido alguma variabilidade clínica da doença e a existência de formas atípicas
que chegam a representar 25 a 34% dos casos (6, 7) pelo que têm sido
propostos critérios de diagnóstico menos restritivos (6), Os critérios
clássicos que sustentam normalidade ao nascimento e nos primeiros meses de vida
têm suscitado particular contestação, havendo evidências de que, em alguns
doentes, possam existir já algumas anomalias no período neonatal (6, 7).
No sexo masculino foram descritos pelo menos 10 casos, embora a maioria não
cumprisse todos os critérios clássicos(8).
Existe
alguma sobreposição clínica com outras entidades, nomeadamente com a
paralisia cerebral na fase mais precoce da doença, na fase regressiva com o
autismo e também com o síndroma de Angelman e várias outras doenças
neurodegenerativas e metabólicas, entre as quais duas raras doenças autossómicas
recessivas particularmente prevalentes no norte da Europa: uma lipofuscinose (lipofuscinose
neuronal infantil) e uma doença do armazenamento do ácido siálico (doença de
Salla) (7).
Estudos
neuroquímicos e anatomopatológicos cerebrais sugeriram a existência de uma
interrupção da normal maturação do sistema nervoso central no síndroma de
Rett (6, 7). Contudo, as múltiplas investigações foram infrutíferas
na identificação de técnicas que possibilitassem uma confirmação segura do
diagnóstico. A descoberta de um gene responsável veio proporcionar o
primeiro marcador biológico relevante na confirmação do diagnóstico do síndroma
de Rett.